Trump "curioso" sobre razões para Irão não ter "capitulado" perante ameaças

Trump "curioso" sobre razões para Irão não ter "capitulado" perante ameaças

Donald Trump, que tem vindo a ameaçar atacar o Irão, está curioso sobre os motivos pelos quais essa ameaça se está a revelar infrutífera. Entretanto, um alto funcionário de Teerão revelou que o país do Médio Oriente está a ponderar fazer cedências.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Kevin Lamarque - Reuters

O presidente dos Estados Unidos está curioso para saber por que razões o Irão ainda não "capitulou" nem concordou em restringir o seu programa nuclear. A posição foi dada a conhecer pelo enviado especial de Donald Trump ao Médio Oriente, Steve Witkoff.

"Não quero usar a palavra frustrado, porque ele entende que tem muitas alternativas, mas está curioso para saber porque é que eles não... não queria dizer capitularam, mas porque é que ainda não capitularam", disse Witkoff no sábado, em entrevista a um programa da Fox News apresentado por Lara Trump, nora do presidente.

"Porque é que, sob esta pressão, com o poderio naval e marítimo que temos lá, eles não vieram ter connosco e disseram: Não queremos mais armas, eis o que estamos dispostos a fazer? Está a ser difícil fazê-los chegar a esse ponto", acrescentou.

As declarações surgem depois de Donald Trump ter ordenado um reforço das forças norte-americanas no Médio Oriente, anunciando ainda preparativos para um eventual ataque aéreo de várias semanas contra o Irão.

Teerão já ameaçou retaliar contra bases dos Estados Unidos se for atacado.
Irão estará a ponderar cedências

Este domingo, um funcionário do regime iraniano indicou à agência Reuters que Teerão está disposto a fazer cedências sobre o seu programa nuclear nas negociações com os EUA em troca do levantamento das sanções e do reconhecimento do seu direito de enriquecer urânio.

Segundo a mesma fonte, Teerão poderá aceitar um acordo sob o qual enviaria metade do seu urânio mais altamente enriquecido para o exterior, diluiria o restante e participaria na criação de um consórcio regional de enriquecimento. Em troca das cedências iranianas, seria exigido que os Estados Unidos reconhecessem o direito do Irão ao “enriquecimento nuclear pacífico” e levantassem as sanções económicas.

Este funcionário referiu também que o Irão ofereceu a empresas americanas a oportunidade de participarem nas indústrias de petróleo e gás do Irão.

“Dentro do pacote económico em negociação, os EUA também receberam ofertas de oportunidades para investimentos sérios e interesses económicos palpáveis na indústria petrolífera do Irão”, afirmou.

Também este domingo, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, avançou à CBS que deverá encontrar-se com Steve Witkoff na Suíça na terça-feira, acrescentando que ainda existe "uma boa possibilidade" de ser encontrada uma solução diplomática entre Washington e Teerão.

Já na última terça-feira, autoridades norte-americanas e iranianas realizaram conversações indiretas na Suíça com o objetivo de conter o programa nuclear do Irão, afirmando que houve progressos.Witkoff alerta para enriquecimento nuclear “perigoso”
Os EUA e os seus aliados europeus suspeitam que o Irão esteja a avançar para a fabricação de uma arma nuclear, o que já foi negado por este país do Médio Oriente.

"Eles têm enriquecido muito além do necessário para fins nucleares civis. Chega a 60 por cento" de pureza físsil, acusou Witkoff na entrevista à Fox News no sábado. "Provavelmente estão a uma semana de ter material de nível industrial para fabricar bombas, e isso é realmente perigoso".

Este fim de semana, várias universidades do Irão foram palco de protestos antigovernamentais, os primeiros desta dimensão desde janeiro, quando a repressão das autoridades resultou na morte de milhares de pessoas.

c/ agências
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